22
jun
09

A mídia e a evolução do flatland

Venho trabalhando neste post desde que comecei o blog. Colhi dados, li inúmeras reportagens, fiz entrevistas e finalmente consegui escreve-lo.

Dando uma olhada no flatland, percebemos que este é muito menos “popular” que as outras modalidades de bmx. Raríssimos são os momentos em que o vemos aparecendo na mídia de uma forma geral. Na televisão por exemplo, fazem uns seis meses que eu não vejo sequer a palavra flatland sendo citada em algum programa, isso se tratando da tv fechada, porque nunca tive notícias de que algum canal aberto tenha feito uma matéria sobre flat (o máximo que vi foi a Letícia Spiler “fazendo manobras” para um comercial, rs). E o pior é que isso ocorre no mundo inteiro.

Mas porque o flatland tem se exilado tanto, saindo dos holofotes e partindo para estacionamentos e garagens?

No começo da história do flat, ele era meio que uma forma de “apresentação“, eram geralmente menininhos que subiam em suas bicicletas e faziam manobras vagas e pausadas, em um espaço aberto gigante e rodeado por um público nem um pouco específico. A maioria das manobras nem sequer usava os apoios, e era fácil de entender como elas eram realizadas. Mas isso foi um fato que mudou rapidamente com a evolução do esporte.

No início dos anos 80, já existiam centenas de manobras e o nível delas tinha se elevado exponencialmente. Mas ao mesmo tempo que o flatland para iniciantes estava beirando o impossível, o Street e o Dirt estavam se tornando modalidades mais viáveis do bmx. Não estou dizendo que fazer backflips ou pular de escadas é fácil, pelo contrário, estou dizendo que é mais rápido de entender o que fazer. Por exemplo, alguém fora do universo bmx vê uma foto do Shelby Miller fazendo um double tailwhip sobre uma escada e depois vê uma foto do Misael Lima fazendo um crackpacker. É mais fácil de se imaginar como fazer os tailwhips do que imaginar como aquele cara foi parar naquela posição do crackpacker. Você já reparou na dificuldade das manobras que o Matthias Dandois faz? É insano! Uma vez que as barreiras para entrar no flatland ficam muito altas, os novatos ficam com medo de entrar.

O aspecto altamente técnico do flatland é outro fator que contribui para sua obscuridade. Voltando no tempo em que existiam poucas manobras, qualquer pessoa podia ver claramente como elas eram realizadas e apreciar a sua dificuldade, mesmo não tendo nenhum conhecimento daquilo. Uma vez que o nível se eleva muito para os novatos, ele também fica muito alto para o público apreciar. Fica algo como “ah, tudo parece muito difícil, mas também parece ser a mesma coisa !”. Porque convenhamos, para quem está “de fora” um megaspin e um time machine parecem um tanto iguais. Com a evolução da dificuldade das manobras, o flatland ficou muito técnico para uma audiência generalizada apreciar.

Como contraste, no Street e no Dirt qualquer um pode apreciar o “show” (pois os riscos e falhas são óbvios), mesmo não tendo a mínima idéia dos aspectos técnicos. E esse foi um fato marcante para a retirada do flatland da mídia, como exemplo o X-Games. Quando o flat ainda integrava essa grande competição, o cenário era algo no mínimo triste. O que o espectador via era um imenso espaço aberto com uma pessoa no centro, que fazia algumas manobras rapidamente (imperceptíveis àquela distância), parava e depois recomeçava. Havia pouquíssima emoção envolvida e o público distante não entendia direito o que era necessário naquele esporte, ou seja, o flatland foi apresentado ao público (mundial) de uma forma totalmente inapropriada e sem graça.

X Games 2000 - Muito impessoal

X Games 2000 - Muito impessoal

Após a saída do flatland do X-Games, a mídia voltou seus olhos para outros lados, o que deu ao esporte tempo de amadurecer suas manobras e sua forma de apresentação.

Hoje, o flat está novamente se abrindo ao público geral, os eventos estão acontecendo com mais frequência e com mais interação do público, basta reparar nos vídeos dos campeonatos atuais: público pertíssimo do piloto, vibrando e participando, além da estrutura e dos “show mans”.

Ninja Spin 09- Público bem mais interativo

Ninja Spin 09- Público bem mais interativo

Querendo ou não, devemos admitir que o flatland está (lentamente) saindo de sua fase “underground”, obscura. Muitos não gostam disso porque, ao ser divulgado às massas, o flatland pode (e vai) passar por clichês, pessoas que dizem gostar do flat só para parecem mais legais e nem se interessam pelo esporte, pessoas essas que não duram no flat por não terem o esforço e a garra extrema que este esporte exige, e acabam seguindo o caminho mais fácil: a desistência.

Porém, a divulgação do flat traz mais desenvolvimento ao esporte, quanto mais pessoas estiverem praticando flat, mais chances teremos de desenvolver novos super-atletas, desenvolver a cultura flatland. O que consequentemente trará novas peças, manobras e uma infinidade de novidades.

Além do que, a falta de divulgação traz junto a falta de informação, um fator que prejudica demais os atletas, e principalmente os que querem entrar no esporte. Por exemplo, você já parou pra pensar de onde tira a grande maioria de dicas e informações sobre o flatland? A resposta com certeza será a mesma: da Internet. Sem ela o flat estaria morto, e isto é um fato inegável. Sem ela não teríamos onde aprender novos tricks e links, ficaríamos parados no tempo repetindo as manobras que existiam no tempo em que o flatland aparecia na mídia. Porém não são todos que tem acesso a internet, e muito menos ao conteúdo de flatland que nela existe.

Então porque afinal o flat não aparece em nossas televisões e jornais? Ora, em uma era em que os flatlanders demoram meses a fio para desenvolverem uma manobra, não tem como espectadores destreinados e desinformados diferenciarem o que é difícil e o que beira o impossível. E a publicidade não gosta disto, ela prefere modalidades mais óbvias, onde na maioria das vezes o atleta está no ar fazendo coisas que desafiam a vida.

É por isso que sou defensor da teoria que o flatland deixou de ser um esporte a muito tempo, flatland é arte! Que só impressiona verdadeiramente aqueles que realmente querem entender o que leva uma pessoa a passar horas em cima de uma bicicleta rodando em um estacionamento. Por isso costumo comparar o flatland aquelas obras surrealistas, onde ninguém destreinado consegue entender o que o artista quis dizer, porém, visto aos olhos de quem entende se torna um espetáculo.

surrealismoViva o Flatland e ajudem a divulgar!

Vlw!!! Comentem!!

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7 Responses to “A mídia e a evolução do flatland”


  1. 1 marcus campos
    junho 25, 2009 às 3:10 pm

    bom a matéria é boa mas errônia no que diz respeito ao não divulgamento da mídia, isso ocorre no Brasil, onde os atletas preferem reclamar ao invés de agir, precisamos é criar vergonha na cara e chamar a mídia para nossos campeonatos, precisamos fazer barulho na cabeça dos organizadores, pois somos nós os interessados, ex: no próximo camp de santos ao invés de esperar os organizadores chamarem a média pq não fazemos uma ação coletiva entrando no site do globo esporte e pedindo a presença e ainda pedindo todos os dias que falem sobre o esporte, a vós do povo é a vós de Deus para a mídia cavaleiros, temos é que fazer a nossa parte estamos muito acomodados, o mathias aparece pelomenos uma vez por mês em programas na França mais é lógico que não vamos ver aqui a nossa tv fechada comporta 3 ou 4 ridículos canais sobre esporte que falam 24 horas de futebol futebol futebol, a nossa tv é pobre, e nossos produtores incapazes de criar um canal com variedade esportiva necessária para a formação de novas atletas em novos esportes, ai que o brasileiro fica burro e chucro, e quando vê vc fazendo manobras logo pergunta: – pq vc não compra uma bike maior?, ou pior – não é melhor fazer essas manobras numa bike grande? GENTE aonde chegaremos ? ao cúmulo da iguinorância? ou ao fiásco nas olimpiadas? como sempre!, ou ainda mais chegaremos ao ponto de investir milhões em estadios de futebol para depois do jogo um bando de babacas sairem na rua e destruir carros ônibus e matrem pessoas, conseguiram enchegar onde esta o erro?, está na nossa cultura pobre e defasada, mas nós podemos mudar convido á todos que mudem de comportamento e ao invés de agora irem para o orkut combinar baladinha com o amigo bombado, vão para os sites de programas esportivos sugerindo matérias sobre o flatland e pedindo que cubram o campeonato de santos e todos os outros que aparecerem, só nós mudaremos essa mentalidade pobre do pais pq somos os unicos interessados, então vc vai pro site do globo esporte, esporte espetacular e todos os outros? eu vo pq amo meu esporte!

  2. 2 Rafael
    junho 26, 2009 às 2:18 pm

    Valeu Marcus, certíssimo!!

  3. 3 Sansao
    julho 18, 2009 às 9:26 am

    Nossa kurti muito essa materia, e isso tudo que esta escrito é a mais pura verdade
    infelismente é isso ae, soh que é apaixonado realmente vai ficar no flat pra sempre
    e so essas pessoas que vao apreciar e entender o flat, ja cansei de explicar as manobras pros meus colegas mais, ou é muita burrice ou muita ignorancia porque nunca compreendem as manobras que eu fasso mesmo sendo de pouca dificuldade
    abraçao pra vcs adorei a matéria

  4. 4 Bruno topera
    maio 14, 2010 às 1:26 am

    Adorei a máteria fica no flat so quem ama
    e eu tbm achu q devia passar mais sobre o flat na mídia
    o q ouvimos mesmo é so futebol como diss nosso amigo marcos
    e os organizadores tbm pedir a presença da midia se nao vai ser
    dificil eles aparecerem abraço

  5. 5 Fernando
    maio 2, 2011 às 6:28 pm

    Parabéns pelo site, voltei a andar depois de 15 anos e preciso de amigos para ajudar a dar um Up !! Abraço

  6. 6 Lucasbmx
    outubro 5, 2011 às 5:25 pm

    Achei inreressante essa matéria, estão de parabéns. Tenho apenas dois anos no esporte e fico triste por não termos uma cobertura e um apoio maior, mas fico feliz por ser um dos que irão daqui pra frente fazer a história do flat no Brasil e ajudar os novos atletas a ‘entenderem’ esse mundo de artes sobre duas rodas.


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